Em
Alvalade, é impossível não reparar na esquina que une a Rua Ricardo Jorge com a
Rua Constantino Fernandes! Com um design descontraidamente jovem, é no nr 3 que
se encontra a garrafeira PORTUGAL WINE ROOM.
Não
foi necessário ninguém estar à porta para me convidar a entrar.
A
decoração e o estilo cosy da esplanada empurraram-me para
dentro!
O
dia estava fantástico e a esplanada facilmente se enchia de copos cheios e
tapas com um aspeto delicioso!
Estou
desconfiada que eram grandes admiradores de pequenas coisas da vida que pediam
estas magníficas ementas.
A
prova de vinhos Quinta do Boição, em Bucelas, esperava-me e eu a ela.
Demo-nos
tão bem!
Fui
muito bem recebida e aprendi muita coisa com quem tinha conhecimento a
partilhar.
A prova foi sempre guiada pelo enólogo João Vicêncio, do grupo
ENOPOR, mas foi o meu olfato e o meu paladar que mais informações retiraram.
O primeiro que se chegou à frente, e a todos os flutes,
foi o Espumante Quinta do Boição, Arinto – Reserva Bruto de 2008.
Foi mesmo
caso de festejo!
A cor é um amarelo citrino e o cheiro vai a este
encontro. Para além de algum floral.
Provei-o e o meu paladar disse-me, enquanto os
entendidos discutiam ainda cores e cheiros, que estava perante uma boa acidez.
Deve-se à casta Arinto, que confere sempre frescura e acidez.
Imaginei-me sentada com o grupo de amigas num almoço
ligeiro composto por uma salada ou simplesmente um lanche tardio com tostas com
queijo delicado e frutos secos!
Depois veio o branco Bucellas Arinto 2014.
Este branquinho conquistou-me! Quase que se conseguiu
disfarçar por um verde pela acidez que possui. Mas não me deixei enganar.
É um vinho jovem, com uma tonalidade amarela muito
translúcida. O aroma é muito tropical! Cheira bastante a ananás e maracujá.
Este sujeito caía muito bem com uma bela mariscada.
Apareceu, de seguida, o primo Quinta do Boição Arinto Reserva 2013.
Em relação ao anterior é um amarelo mais nítido, devido também à
diferença de idades.
Os cheiros assemelham-se mas neste estão presentes algumas notas de mel e
frutos secos.
Em pormenor, sinto também a madeira.
O sabor é mais prolongado que o anterior.
A frescura e a acidez estão
muito presentes devido a ser uma monocasta Arinto.
A acompanhar esta vinhaça, as carnes brancas teriam prioridade!
Posteriormente, cumprimentei o mister Quinta do Boição Special Selection
DOC Bucelas 2010. Reparo nos pormenores: em rodapé – Bottled in 2013; e em
itálico - “Old Vineyards”.
Só faltava o smoking a este sujeito.
Que presença, que cheiro, que sabor!
O amarelo é bem mais acentuado, cheira-me predominantemente a frutos
secos.
Podia muito bem acompanhar com uma senhora massa de
tamboril ou outro prato bem elaborado. Assados no forno, por exemplo.
Seguiu-se algo inesperado. Uma primeira vez.
Foi a minha primeira experiência com um branco de 2000!
O amarelo desapareceu para dar lugar ao dourado.
O cheiro é muito diferente do que estou habituada!
Cheira a couro e o
sabor é muito amendoado. Muito intenso.
Não é qualquer coisa que harmoniza aqui.
Talvez uns folhadinhos de queijo chèvre com mel e nozes ou
simplesmente tostinhas integrais com queijo roquefort!
Não foi o vinho que mais gostei mas foi o que veio para casa! Tinha de o conhecer melhor!
“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”, certo?
Chegaram os tintos e os brancos só voltaram para os apreciadores que
chegaram tarde ou simplesmente para os que quiseram despedir-se mais uma vez.
Primeiro conheci o Quinta do Boição Reserva 2010.
Os taninos estão muito presentes neste vinho, sendo a cor um vermelho com
vida, algo próximo do rubi.
O cheiro a frutos vermelhos e a madeira destacaram-se a meio do caminho
entre o meu nariz e o dito sujeito.
Tem um sabor intenso e prolongado, culpa das castas Syrah e Castelão.
Acompanhá-lo-ia com carnes vermelhas grelhadas e talvez um pouco mais
frio do que foi servido.
Por fim, o Quinta do Boição Special Selection Old Vineyards 2008. E também de smoking, veste o pormenor “Bottled
in 2012”.
Este vinho, representado pela fotografia lá em cima, apresentou uma boa
lágrima, sendo bastante encorpado e mais volumoso que o tinto anterior. As castas presentes são Touriga e Syrah.
A cor é
linda! É um vermelho escuro intenso.
Dentro dos tintos apresentados, para mim este teve maior visibilidade
dada à intensidade do sabor.
Quase que parecia ter personalidade própria!
Aqui todos os brancos são DOC e os tintos regionais de Lisboa.
A Quinta do Boição oferece uma panóplia de opções para refeições em boa
companhia ou simplesmente para um momento filosófico a sós!
Conheci boa gente num ambiente muito familiar onde todos tínhamos algo em
comum – o gosto pelo vinho. Mais do que beber, apreciámos vinho.
Mais informações e curiosidades contactem-me, wine lovers.