domingo, 26 de abril de 2015

Lady Wine - Risottos, arroz e arrozadas

Não foi a primeira vez que estive na cozinha Míele, do atelier Feedme.

Sou sempre muito bem recebida e é o ambiente e a troca de experiência e sabores que mais motiva a presenciar este tipo de workshops e oficinas! 

Conhecemos pessoas novas, com as mesmas motivações e quem partilha conhecimento supera todas as expectativas. Adoro lá estar!

Desta vez, fui rumo a uma oficina de risotto.


Este delicioso Risotto de Venere, confeccionado pelo chef Hugo Campos, teve a gentileza de acompanhar este magnífico rosé!

Quinta do Monte d'Oiro, de 2013, este sujeito já sabia dar nas vistas!

Tem uma cor delicada, num tom entre o laranja e o rosa. Foi de encontro às notas florais e de especiarias que o olfacto anotou!

Muito fresco e activo, a acidez caiu maravilhosamente bem com o prato!



Seguiu-se outra deliciosa parceria. Aliás, a minha preferida!

O Risotto de Camarão, tendo como pai, mais uma vez, o simpático chef Hugo Campos, estava cozinhado na perfeição! 
E a aliar-se a esta grande prova chegou o Quinta do Monte d'Oiro 2013 todo fresco!

Estava tudo delicioso e cozinhado com bastante carinho e amor pela cozinha.
Sempre achei que este afecto é reflectido no sabor do prato.

Todos o provámos, todos o admiramos e a companhia um do outro foi também contemplada por todos. 



Foram confeccionados mais pratos, adivinharam-se mais sabores e cheiros que me deixaram encantada num final de tarde after work!

Caso tenham curiosidade, deixo esta excelente sugestão para descontraírem e apreciarem esta poesia de aromas.

Visitem o Feedme!


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Lady Wine - A saga com o Marquês continua


O Marquês de Marialva branco continua a surpreender-me! 



Hoje foi acompanhado com esparregado temperado com alho e coentros e costeletas de borrego grelhadas!

Enquanto as costeletas estavam a marinar lembrei-me de uma frase deliciosa:




"I cook with wine, sometimes I even add it to the food".

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Lady Wine - Lanche com o Marquês


Sexta-feira à tarde, o Sol saiu à rua para me aquecer e refrescar o branco.

Escolhi o Marquês de Marialva Bairrada DOC branco de 2013 para me acompanhar no lanche preparado de mim para mim.

Salteei umas sementes de girassol (adoro!) em molho de soja para dar um gostinho salgado e grelhei maçã com beterraba.

De insonso, este lanche não tinha nada.

E não era por causa das sementes.

A cor causa discussão. Amarelo ou foge para o tom esverdeado? Ficou a dúvida enquanto o saboreava.

O cheiro é verdadeiramente tropical! Faz-me lembrar aquela opção dos exames de escolha múltipla. Se as opções fossem:

A – “Cheira a líchias!”;
B- “Cheira a maracujá”;
C – “Cheira a ananás!”

Escolheria a D, que era quase sempre “Todas as alíneas anteriores estão corretas”.

É um vinho muito fresco, não fosse ele um marialva.

Obtido a partir das castas Arinto, Bical e Maria-Gomes tem um sabor prolongado e exuberante. O solo da Bairrada também tem uma forte influência no sabor devido aos solos argilo-calcários e influência atlântica.

Este sujeito já me tinha feito companhia ontem ao jantar, acompanhado também por uma bela dourada grelhada.

A companhia foi tão boa que hoje quis mais um bocadinho.

A Bairrada nunca me deixou ficar mal! E conclui isto por experiência própria, quando passei umas maravilhosas férias lá perto.


Por tudo isto, por ter ganho uma medalha de ouro de melhor vinho branco e o título de melhor vinho, no 4º Concurso de Vinhos e Espumantes da Bairrada, esta é a Pinga da Semana!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Lady Wine - Prova dos 7


Em Alvalade, é impossível não reparar na esquina que une a Rua Ricardo Jorge com a Rua Constantino Fernandes! Com um design descontraidamente jovem, é no nr 3 que se encontra a garrafeira PORTUGAL WINE ROOM.

Não foi necessário ninguém estar à porta para me convidar a entrar.
A decoração e o estilo cosy da esplanada empurraram-me para dentro!

O dia estava fantástico e a esplanada facilmente se enchia de copos cheios e tapas com um aspeto delicioso!
Estou desconfiada que eram grandes admiradores de pequenas coisas da vida que pediam estas magníficas ementas.

A prova de vinhos Quinta do Boição, em Bucelas, esperava-me e eu a ela.
Demo-nos tão bem!

Fui muito bem recebida e aprendi muita coisa com quem tinha conhecimento a partilhar.


A prova foi sempre guiada pelo enólogo João Vicêncio, do grupo ENOPOR, mas foi o meu olfato e o meu paladar que mais informações retiraram.



*

O primeiro que se chegou à frente, e a todos os flutes, foi o Espumante Quinta do Boição, Arinto – Reserva Bruto de 2008.
Foi mesmo caso de festejo!

A cor é um amarelo citrino e o cheiro vai a este encontro. Para além de algum floral.

Provei-o e o meu paladar disse-me, enquanto os entendidos discutiam ainda cores e cheiros, que estava perante uma boa acidez. Deve-se à casta Arinto, que confere sempre frescura e acidez.

Imaginei-me sentada com o grupo de amigas num almoço ligeiro composto por uma salada ou simplesmente um lanche tardio com tostas com queijo delicado e frutos secos!

*

Depois veio o branco Bucellas Arinto 2014.
Este branquinho conquistou-me! Quase que se conseguiu disfarçar por um verde pela acidez que possui. Mas não me deixei enganar.

É um vinho jovem, com uma tonalidade amarela muito translúcida. O aroma é muito tropical! Cheira bastante a ananás e maracujá. 

Este sujeito caía muito bem com uma bela mariscada.

*

Apareceu, de seguida, o primo Quinta do Boição Arinto Reserva 2013.
Em relação ao anterior é um amarelo mais nítido, devido também à diferença de idades.

Os cheiros assemelham-se mas neste estão presentes algumas notas de mel e frutos secos. 
Em pormenor, sinto também a madeira.

O sabor é mais prolongado que o anterior. 
A frescura e a acidez estão muito presentes devido a ser uma monocasta Arinto.

A acompanhar esta vinhaça, as carnes brancas teriam prioridade!

*

Posteriormente, cumprimentei o mister Quinta do Boição Special Selection DOC Bucelas 2010. Reparo nos pormenores: em rodapé – Bottled in 2013; e em itálico - “Old Vineyards”.

Só faltava o smoking a este sujeito.
Que presença, que cheiro, que sabor!

O amarelo é bem mais acentuado, cheira-me predominantemente a frutos secos.
Amêndoas, diria eu.


Podia muito bem acompanhar com uma senhora massa de tamboril ou outro prato bem elaborado. Assados no forno, por exemplo.

*

Seguiu-se algo inesperado. Uma primeira vez.

Foi a minha primeira experiência com um branco de 2000!

Surpreendi-me com a cor!
O amarelo desapareceu para dar lugar ao dourado.

O cheiro é muito diferente do que estou habituada! 
Cheira a couro e o sabor é muito amendoado. Muito intenso.

Não é qualquer coisa que harmoniza aqui.
Talvez uns folhadinhos de queijo chèvre com mel e nozes ou simplesmente tostinhas integrais com queijo roquefort!

Não foi o vinho que mais gostei mas foi o que veio para casa! Tinha de o conhecer melhor!

“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”, certo?

*

Chegaram os tintos e os brancos só voltaram para os apreciadores que chegaram tarde ou simplesmente para os que quiseram despedir-se mais uma vez.

Primeiro conheci o Quinta do Boição Reserva 2010.
Os taninos estão muito presentes neste vinho, sendo a cor um vermelho com vida, algo próximo do rubi.

O cheiro a frutos vermelhos e a madeira destacaram-se a meio do caminho entre o meu nariz e o dito sujeito.
Tem um sabor intenso e prolongado, culpa das castas Syrah e Castelão.

Acompanhá-lo-ia com carnes vermelhas grelhadas e talvez um pouco mais frio do que foi servido.

Gostos, meus amigos.

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Por fim, o Quinta do Boição Special Selection Old Vineyards 2008. E também de smoking, veste o pormenor “Bottled in 2012”.

Este vinho, representado pela fotografia lá em cima, apresentou uma boa lágrima, sendo bastante encorpado e mais volumoso que o tinto anterior. As castas presentes são Touriga e Syrah.

A cor é linda! É um vermelho escuro intenso.

Dentro dos tintos apresentados, para mim este teve maior visibilidade dada à intensidade do sabor.
Quase que parecia ter personalidade própria!

Aqui todos os brancos são DOC e os tintos regionais de Lisboa.

*
  
A Quinta do Boição oferece uma panóplia de opções para refeições em boa companhia ou simplesmente para um momento filosófico a sós!

Conheci boa gente num ambiente muito familiar onde todos tínhamos algo em comum – o gosto pelo vinho. Mais do que beber, apreciámos vinho.


Mais informações e curiosidades contactem-me, wine lovers.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Lady Wine - A culpa foi da multidão


Após ter chegado a casa, e não estando a contar com tanto calor, instala-se a pergunta na minha cabeça “O que ia bem agora?” e oiço uma multidão a dizer-me, lá ao fundo, a resposta.

O meu avô sempre me ensinou “Faz o que o teu cérebro manda”, e assim fiz.

Abri o frigorífico e vi o Rosário. Depois pedi-lhe desculpa e, com mais atenção, reparei que o nome correto era “Vinha do Rosário”.

Preparei um maravilhoso lanche de pão integral com queijo fresco de cabra e doce de abóbora, e acompanhei com este suminho de uva.

Estou fascinada! A combinação é excelente!

O cheiro é maravilhoso e é fácil de se apreciar. Graças às castas Fernão Pires e Arinto, é muito frutado e floral! Principalmente frutado. Cheira mesmo a lichias, ananás e laranja!
É fresco e suave.

“Escorrega bem!” – diz-me a multidão. Ainda está lá ao fundo.

A cor - amarelo esverdeado - faz recordar, de imediato, o Verão. A sardinha assada, as noites quentes, as cores lindas que se usam nesta estação!

Acompanhei-o, ainda, com música cubana, apesar de ele ser bem português. Vem de Palmela, que bela zona!

Na verdade, sempre tive uma empatia especial com os vinhos brancos desta zona. 

Talvez seja um dos vinhos que vou apresentar às amigas que dizem que não gostam de vinho. Pensam elas…
E mal.

Não foi necessária nenhuma promoção para o trazer, esta é uma maravilha que não chega às três unidades de euros.

Por todas estas razões, esta é a Pinga da Semana!



domingo, 5 de abril de 2015

Lady Wine - Almoço de Páscoa


A mesa estava rodeada de boa gente e o "Duas Quintas" apareceu para nos acompanhar durante o almoço de Páscoa.


“Olá, seja bem-vindo!”, disse-lhe eu.

Sempre tive muitos valores.

As castas Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca fazem dele um vinho complexo. Cheirou-me a frutos silvestres numa calda apimentada e um q.b. de canela. Na boca, aparece de forma fresca e intensa e o sabor perdura por algum tempo.


Gosto destes vinhos para acompanhar estes almoços prolongados de comida de forno!


Sei que ele nos fez rir e recordar tempos antigos. Rimo-nos uns dos outros e uns para os outros e ainda aprendi costumes e tradições de quem já não está por cá.


Após o almoço, o Duas Quintas explicou-me a razão do seu nome. A mãe é a Quinta de Ervamoira, que lhe confere toda a doçura e intensidade de sabor; já o pai é o Quinta dos Bons Ares, que lhe deu frescura e fulgor.


Conheci minutos antes o primo, o branco.

Também lhe falei bem mas não simpatizei tanto.
O branco era bastante frutado em termos de sabor, o que veio comprovar o alerta do meu olfacto. Avisou-me logo que tinha um cheiro floral e de citrinos.

Já o "Duas Quintas" tinto de 2012… que apareça mais vezes!

Lady Wine - "Uma pomada"


Parecia que se tinha vestido para uma gala. Escolheu uma garrafa borgonha para ir à mesa e por lá desfilou. 

A primeira impressão que tive foi de um gabarola.

A família contemplava-o e a curiosidade surgiu de mansinho…
Rapidamente matamo-la.

Comecei por lhe tirar a rolha e cheirei-a. Um “Eh lá” prolongado ouviu-se por toda a sala.

Adoro o cheiro a barricas e a frutos silvestres bem acentuados! Em pormenor, destaco também um subtil toque a pimentas.

Desconfiei que tinha combinado previamente encontrar-se com o tempero do borrego. Que maravilhosa combinação!

DOC de 2011, nascido no Dão, para além de se vestir de forma imponente, este sujeito tinha uma cor rubi e cintilante fantástica.

O sabor? O sabor explica muita coisa. Tem um travo ácido bem controlado e uma intensidade de sabor que sacia facilmente o paladar de quem anseia um bom vinho.


“Uma pomada!”, como diria o meu avô João Tomé.

Este sujeito é muita fruta. Mas só para algumas festas.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Lady Wine - Sexta-feira santa


Uma sexta-feira santa pede um santo vinho! 

O Anta da Serra, da Adega de Redondo, convidou-me a acompanhar um peixe no forno. 

DOC de 2013, deixa uma lágrima suave no copo e tem um cheiro maravilhoso. É curioso como se sente a vagem de baunilha e o aroma dos frutos vermelhos. A culpa é em grande parte devida às castas Aragonez, Alicante Bouschet e Syrah. 

Nesta dança de odores e sabores, a cor sobressai também... Um vermelho rosado escuro. É atraente, intenso.

Adoro quando o tinto consegue abraçar o peixe. 

Nestes dias de calor abafado, coloco-o 5 minutos antes de o servir no frigorífico. Fica com um sabor intenso mas fresco ao mesmo tempo, o que condiz muito bem com o peixe e as suas verduras!

O Lady Wine Blog não é para gostos formatados. 
Sejam críticos, meus amigos.

Lady Wine - Às cegas no Algarve


O Lagoa Wine Show está a decorrer até ao dia 4 de Abril no nosso maravilhoso Algarve!

É a primeira vez que o público tem a oportunidade de fazer as chamadas provas à cega. Aqui, centenas de garrafas são vestidas e é o louvado conteúdo que lhes vale o mérito. Podem assinalar-se os vinhos mais apreciados e só no fim o rótulo é conhecido.

Conheçam, desfrutem e apreciem toda uma panóplia de vinhos para acompanhar as refeições da Páscoa!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

About me


Allo!

O meu nome é Joana Tomé Pereira, nasci em Lisboa e resido actualmente no concelho de Oeiras.

Sou licenciada em Medicina Nuclear mas é o meu lado criativo e empreendedor que me persegue diariamente. Consegui chegar ao pódio de um concurso mas a maior parte das minhas ideias não chegaram a estar à prova do público. 
Agora, a prova é diferente.

O Lady Wine Blog fala do vinho…no feminino!

Há uns anos, um amigo enólogo teve a brilhante ideia de realizar uma prova de vinhos caseira. Sorte a minha que foi em minha casa!
Levou 3 distintos tintos e 3 magníficos brancos e desafiou-nos a pegar em cada tipo de copo, a cheirá-los e a saboreá-los intensamente!

Foi aqui que o meu olfato apuradinho se destacou e, consequentemente, o paladar agradeceu. Estes dois sujeitos são em mim, e para mim, notórios e essenciais.

Desde a minha infância, o vinho esteve bem presente pela figura do meu avô João Barra Tomé. Ele regava muita coisa com vinho…Pêras, por exemplo. E apreciava-o bem. 
Acho que não é à toa que desde pequena me chamam “Virgínia Barra”. Era uma das senhoras tias do meu avô que também era cá das nossas.


Lembro-me das minhas férias de Verão, passadas no concelho de Mafra, onde via as quintas decoradas de longas vinhas. 
As vizinhas tinham grandes alguidares de madeira escura e húmida para pisar as uvas. Sempre que olhava para este cenário pergunta-me se lavavam bem os pés... 
Nunca soube a resposta.

Porque um vinho não é apenas apreciado pela sua essência mas também pelo que o rodeia, este blog nasce com a fusão de duas grandes paixões: o vinho e a fotografia.

É através deste meu jeito delicado e descontraído, sem grandes teorias, que espero partilhar experiências e sabores que passam muito para além do rótulo.


Joana Tomé Pereira